Emprego é recorde no país, mas alerta na capital
Duas estatísticas divulgadas ontem pelo governo federal acenderam a luz de alerta sobre a economia da Grande Belo Horizonte. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a taxa de desocupação na área foi de 5,1% em maio. Embora ainda abaixo da média nacional (5,8%), o percentual foi maior do que o apurado em abril deste ano (5%) e em maio de 2011 (4,7%). À tarde, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) destacou que o total de empregos formais criados na capital mineira e cidades vizinhas, também em maio (4.477 vagas), foi 54,2% menor do que o registrado em igual mês de 2011 (9.785 vagas) e 50,2% abaixo do verificado em abril deste ano (9.008 postos).
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Carmen Valquíria Carvalho ocupou uma das vagas abertas na Grande BH em maio e planeja voltar à escola |
No Brasil, o número de empregos formais também recuou consideravalmente na comparação entre maio de 2012 e o de 2011: 44,5% (139.679 vagas, contra 252.067). O índice é mais uma pista de que a economia nacional está em desaceleração, muito embora o Palácio do Planalto insista em sustentar a tese de que o Produto Interno Bruto (PIB) fechará este ano com crescimento superior ao de 2011 (2,77%) – o mercado financeiro, segundo relatório Focus divulgado na última segunda-feira, estima que o PIB terá alta de 2,3% em 2012. Ontem pela manhã, poucas horas antes de o MTE revelar o balanço de empregos formais no país, o governo comemorou o balanço do IBGE, que apontou a taxa de desocupação de maio em 5,8%, o menor índice para esse mês desde 2002, início da série histórica.
É preciso ressaltar, no entanto, que o estudo do IBGE leva em conta os empregos formais e os informais. Já o MTE aborda apenas a primeira opção. Outra diferença: enquanto o IBGE calcula sua planilha por meio de amostras, o MTE considera todas as admissões e demissões, pois sua estatística tem como base registros e cancelamentos nas carteiras de trabalho. Das quase 4,5 mil vagas formais abertas na Grande BH em maio, pouco mais de 3 mil foram geradas pela construção civil e o comércio, dois setores que andam em alta na região metropolitana.
No caso da construção civil, o bom resultado se deve ao programa Minha casa, minha vida e ao aumento do número de pessoas que adquirem imóveis como investimento. Em relação ao comércio, o saldo positivo é consequência da política do poder público de estimular o consumo, por meio da redução de impostos e da taxa Selic, e à abertura de shoppings na capital e cidades vizinhas. Só o Shopping Estação BH, inaugurado recentemente, gerou mais de 2 mil vagas – diretamente no comércio ou em serviços oferecidos no local, como na segurança e na administração.
Uma das vagas formais criadas na Grande BH foi preenchida por Carmen Valquíria Carvalho, de 45 anos. Em 7 de maio, ela foi contratada pela Maxtrack, especializada em logística e rastreamento de veículos. A empresa pertence ao grupo MXT Holding, que atua em vários países e fechou 2011 com faturamento de R$ 72 milhões. Carmen, formada em gestão de tecnologia da informação e fluente em inglês, é uma das responsáveis por fazer a cotação de preços, prazos e condições de pagamento de produtos a serem adquiridos pelo empreendimento. “É um megaplanejamento. Estou sempre me atualizando. Em agosto, começarei a estudar mandarim. Também planejo cursar uma pós-graduação em comércio exterior ou planejamento”, disse.
Assim como na pesquisa do MTE, a do IBGE também apurou que a construção civil, com 35 mil vagas abertas, e o comércio, com 27 mil vagas geradas, tiveram bom desempenho no confronto entre maio de 2012 e o de 2011. Apesar de os dois setores terem fechado o último mês com bons índices, ambos têm dificuldade de contratar pessoas qualificadas. “Podemos afirmar e confirmar que há uma necessidade grande de mão de obra qualificada no comércio. Boa parcela (dos pretendentes às vagas e de contratados) não reúne qualidades mínimas para atender o cliente. A CDL oferece cursos de reciclagens”, disse Sérgio Marchetti, diretor da Faculdade de Tecnologia do Comércio (Fatec), braço educacional da Câmara de Dirigentes Lojistas da capital.
Salários subiram 6% em um ano na Grande BH
O IBGE apurou que o rendimento médio dos trabalhadores da Grande Belo Horizonte, em maio, foi de R$ 1.686,35, valor 6% maior que o apurado em maio de 2011. No Brasil, a média ficou em R$ 1.707,48, crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. O indicador é fruto da pesquisa feita em seis regiões metropolitanas: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Porto Alegre.
“O rendimento médio nacional anotou ligeira queda frente ao mês de março de 2012 (R$ 1.727,88). Porém, ainda registra elevação quando comparado com o mesmo mês do ano anterior (R$ 1.645,36). Para o resultado no ano, apesar do recente recuo na margem, projetamos crescimento da ordem de 3,5% no rendimento médio real”, estima o analista Felipe Queiroz, da Austin Rating.
O especialista avaliou ainda, em relação à taxa de desemprego nacional do IBGE, que o indicador deve encerrar junho de 2012 em 5,8%. “A Austin projeta estabilidade na taxa de desemprego em 5,8% da PEA, refletindo uma melhora na indústria e no comércio, ainda que tímida, em função das medidas de estímulos adotadas pelo governo. Entretanto, a conjuntura econômica internacional desfavorável e o cenário incerto na Zona do Euro têm impedido um nível de atividade mais intenso no mercado doméstico.” (PHL)
Mais dinheiro, menos vagas
A perda de fôlego do emprego ficou evidente nas intenções de investimento da iniciativa privada anunciadas neste ano em Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico informou que entre janeiro e maio foram assinados 71 protocolos com o governo, para implantação de projetos avaliados em R$ 5,706 bilhões. O universo previsto para a geração de empregos diretos soma 13.139 postos de trabalho, sendo 3.778 oportunidades a menos na comparação com os 16.917 projetados no mesmo período do ano passado. A queda, portanto, foi de 22,3%. O maior número de vagas, de 2.553, deverá ser aberto na implantação de projetos ou ampliação das indústrias de alimentos, bebidas e do agronegócio. Em volume de protocolos de entendimento assinados e na cifra total, houve aumentos de 39,2% e 22,3%, respectivamente. (Marta Vieira)
Fonte: Estado de Minas