PBH é autorizada a contrair empréstimo de US$ 75 milhões para a despoluição da lagoa

12 de Julho de 2012 às 09:38
por: Flávia Ayer
A estudante Júlia Almeida quer a lagoa limpa: 'É triste ver esta situação, pois é um dos lugares que mais chamam a atenção na cidade' (Euler Júnior/EM/D.A Press)  
A estudante Júlia Almeida quer a lagoa limpa: "É triste ver esta situação, pois é um dos lugares que mais chamam a atenção na cidade"


A menos de dois anos da Copa do Mundo de 2014, a prefeitura de Belo Horizonte dá início à corrida para conseguir revitalizar aquele que promete ser o principal cartão-postal da cidade durante o campeonato de futebol. Foi publicada ontem, no Diário Oficial do Município (DOM), lei que autoriza o Executivo a contrair empréstimo de US$ 75 milhões, equivalente a R$ 150 milhões, para recuperar a Lagoa da Pampulha. Segundo o prefeito Marcio Lacerda (PSB), o esforço agora será de tentar incluir o recurso na programação de empréstimos do ano que vem do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A ressalva é de que, até ter o dinheiro em mãos, a prefeitura ainda depende de aprovação do Senado.

Em pouco mais de um ano, o poder público terá o desafio de pôr fim à degradação que se arrasta por mais de três décadas e está estampada na mancha verde que repousa sobre o espelho d’água infestado por cianobactérias – microorganismos comuns em ambientes poluídos por esgoto. Afluente do Ribeirão do Onça, a Lagoa da Pampulha, que recebe esgoto de BH e Contagem, é um dos principais gargalos para a revitalização da Bacia do Rio das Velhas. No espelho d’água, são lançados dejetos de aproximadamente 90 mil pessoas, o equivalente à população de Itaúna.

Lacerda explica que os recursos serão aplicados na retirada de 750 mil metros cúbicos de sedimentos (que representa 8% da capacidade do reservatório), no tratamento bioquímico das águas e em ações de embelezamento e manutenção durante dois anos. “Nossa carta-consulta já foi aprovada pelo Ministério da Fazenda, os editais para as licitações estão prontos, de forma que, assim que obtivermos os recursos, possamos começar as ações”, afirma o prefeito. A verba não inclui investimentos que já vêm sendo feitos pela Copasa, que está aplicando R$ 102 milhões em obras para retirar o esgoto da lagoa.

Redes coletoras

Segundo a companhia, a previsão é de que até dezembro de 2013 sejam implantados mais de 40 mil metros de redes coletoras, 15 mil metros de interceptores em BH e Contagem. “A implantação desses empreendimentos permitirá o tratamento de 100% dos esgotos coletados em Belo Horizonte e Contagem”, informa a Copasa em nota. Enquanto os trabalhos não são concluídos, uma mancha verde de cianobactérias suja a superfície da barragem, denunciando que muito ainda está por fazer. “É triste ver esta situação, pois é um dos lugares que mais chamam a atenção na cidade”, diz a estudante Júlia Almeida, de 17 anos, que gosta de “pensar na vida” em frente à lagoa. “Mas só quando o cheiro não está muito forte”, ressalta.

O atleta Luciano dos Santos, de 41, foi levar a tia Maria José de Jesus, de 81, para conhecer a lagoa e se deparou com um cenário que o desagradou. “É muita poluição que chega. Será que eles conseguem recuperar até 2014?”, questiona. O especialista em recursos hídricos Rafael Resck, cuja dissertação de mestrado teve como objeto a Lagoa da Pampulha, afirma que a limpeza da represa só ocorrerá quando a retirada dos esgotos for realidade. “O foco do problema é o esgoto e finalmente essa questão começou a ser tratada”, afirma Resck, que explica o porquê da mancha verde sobre o espelho d’água. “Com a seca, começa o início da proliferação das cianobactérias, conjunto de algas com espécies tóxicas, e a tendência é piorar. Elas exalam um cheiro ruim e contaminam outros organismos, como os peixes”, alerta.
Saiba mais

Bacia com 42 córregos

A Bacia da Pampulha tem área de 100 quilômetros quadrados e abrange os municípios de Belo Horizonte e Contagem. Nesse perímetro, há 42 córregos, sendo que oito deles deságuam no reservatório. A lagoa tem 10 bilhões de litros de água, capacidade que já chegou a 18 bilhões de litros. De acordo com O último relatório do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) sobre a represa, 70% das águas tem qualidade considerada ruim ou muito ruim. Estão presentes em larga escala na lagoa coliformes fecais, fósforo, manganês, entre outras substâncias tóxicas.
 
 
Fonte: Estado de Minas

Avenida Amazonas, 491, sala 912, CEP: 30180-001, Belo Horizonte/MG - Telefone: (31) 3110-9224 | (31) 98334-8756