Ricos e pobres estão cada vez mais iguais na hora de comprar

18 de Setembro de 2013
por: Juliana Gontijo

 

No consumo, ricos e pobre estão se tornando cada vez mais parecidos. E produtos que eram símbolo de status, antes destinados apenas aos mais endinheirados, estão se tornando mais populares. Um exemplo dos novos tempos foi o lançamento, na última semana, do iPhone 5C, que revelou uma Apple dedicando esforços à popularização de seus produtos – houve até quem reclamasse, nas redes sociais, que os smartphones da marca, antes restritos a uma minoria privilegiada, virariam “coisa de pobre”.

 

Embora os preços tenham reduzido, as versões desbloqueadas do aparelho custarão no mínimo US$ 549 (em torno de R$ 1.300), preço ainda alto comparado a concorrentes, mas que não impede que consumidores de classes mais populares possam adquirir o produto, segundo o diretor de operações do shopping Uai, voltado para a classe C, Elias Tergilene. “Esse consumidor parcela, quando quer mesmo algo que considera bom. A classe C quer o que é bom, que dura, quer qualidade”, diz.

A diarista Maria da Glória concorda. “Tem que durar mais. Com um produto melhor, no fim você acaba economizando. Não dá para ficar gastando dinheiro com algo que não é bom toda hora”, ressalta.

De aparelho celular sofisticado, ela não faz questão. “Já fui roubada. Prefiro os mais simples.” Só que a coisa muda de figura quando ela fala de carro. “Eu prefiro carro equipado. Tem que ter direção hidráulica, ar- condicionado e air bag”, detalha. Hoje a prioridade de Maria da Glória é a construção de sua casa. “Mas quando terminar, pretendo ter meu primeiro carro zero”, diz a proprietária de um Palio Weekend Adventure, ano 2000.

O carro dela é melhor que o de muitas pessoas que contratam seus serviços. E ela ainda está comprando outro carro, um Peugeot Escapade 2005/2006.

Status. Não é só a qualidade que importa, o status é importante para as classes mais populares. “Elas se espelham nas classes A e B, querem consumir o que elas têm, e produtos originais, porque dão status. O iPhone é um exemplo, é o sonho de consumo de muita gente”, diz Tergilene. “A diferença é que, enquanto quem tem mais dinheiro compra à vista ou em poucas parcelas, quem tem renda menor divide em mais vezes”, conclui.


Consumir requer cuidados, diz economista


O consumo deve ser pautado pelo equilíbrio e pelo planejamento, observa o professor de economia da FGV/IBS Alivinio Almeida. “É fato que o ganho de renda dos últimos anos melhorou o padrão de consumo. Mas é importante observar que o brasileiro ficou menos pobre, mas não está rico”.

Para o especialista, entre outros motivos, o acesso ao consumo é fruto do endividamento, o que pode ser preocupante, se não for bem administrado. “Além de consumir, é preciso pensar também na poupança”, aconselha.

A assessora de imprensa Natália Chagas, uma das patroas da diarista Maria da Glória, acompanha de perto a ascensão das classes mais populares. “É inegável que a classe C está tendo mais acesso aos bens de consumo, mas o Brasil continua sendo um país de desigualdades. A faxineira que conseguiu comprar um bom carro – aliás, melhor que o meu, e fico muito feliz por isso – trabalha em regime informal, e, mesmo pagando tantos impostos, não tem nenhuma garantia, como o acesso à saúde.”

 

Fonte: O TEMPO

Avenida Amazonas, 491, sala 912, CEP: 30180-001, Belo Horizonte/MG - Telefone: (31) 3110-9224 | (31) 98334-8756