CNI eleva de 2% para 2,4% sua previsão de crescimento do PIB este ano
26 de Setembro de 2013
por: Simone Kafruni e Marta Vieira
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Aluna do curso técnico em edificações no Senai, Katrine Soares da Silva quer seguir carreira na engenharia |
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, de 2% para 2,4%, apostando num incremento de 0,6% no último trimestre do ano. O PIB da indústria terá alta de 1,4%, puxado pelo setor de transformação, com aumento de 2,6%. Os índices, segundo divulgou a entidade, ontem, no seu Informe Conjuntural, representam uma melhora em comparação com os números negativos do ano passado. E a aposta para garantir ganhos melhores no futuro está no treinamento de funcionários.
Sacudida pela gangorra na produção das fábricas, entre altos e baixos desde o fim do ano passado, a indústria brasileira corre atrás de mais produtividade, recorrendo à qualificação e treinamento de mão de obra, no momento em que projeta um cenário melhor. No recém-lançado Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) Brasil Maior – nova versão do Pronatec, instituído em 2011 pela presidente Dilma Rousseff –, as empresas de Minas Gerais só perdem para as de São Paulo no ranking de quase 120 mil vagas mapeadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A indústria paulista requereu 38 mil oportunidades, a de Minas, 13.630. Além da ampliação das vagas, a novidade da iniciativa está na oferta de cursos eleitos pelo próprio setor privado.
A formação de mão de obra é a saída das empresas para garantir a expansão que a retomada dos investimentos no país vai assegurar. Esse aumento nos investimentos – o maior dos últimos três anos – justifica, segundo o gerente-executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a projeção m ais otimista para o PIB. “Este ano, a formação bruta de capital fixo terá uma participação maior do que o consumo das famílias no crescimento do PIB. A CNI estima que os investimentos aumentarão 8% em 2013”, disse Castelo Branco. Enquanto isso, o consumo, que foi o motor da economia em 2012, perdeu força e aumentará apenas 1,9% neste ano, contribuindo com 1,2 ponto percentual no resultado do PIB.
A inflação estimada pela CNI também foi revisada e agora é de 5,8%, menor do que a projeção de 6% feita pela confederação em julho, mas ainda acima da meta de 4,5%. “Nós reconhecemos a melhora do ambiente, com a projeção de 2,4% para o ano, mas ainda é um crescimento insatisfatório para o Brasil, que reflete a baixa competitividade e o baixo investimento”, acrescentou Castelo .
Competência Em busca de mais competitividade, a qualificação da mão de obra ganha destaque nas fábricas. Para o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior, o programa transformou-se numa das iniciativas mais importantes para as empresas, diante da escassez de mão de obra que o país enfrenta. “A forma como as vagas foram mapeadas nos dá oportunidade de formar gente dentro da demanda real das empresas e daquilo de que a economia necessita”, afirmou.
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A demanda da construção civil predomina no mapa das vagas elaborado com as empresas em Minas. Foi a oportunidade que esperava a estudante Katrine Soares da Silva, de 17 anos, beneficiada entre as vagas para técnicos em edificações oferecidas em uma das unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Belo Horizonte. “Além do aquecimento do emprego no setor, o curso é importante para a carreira que pretendo seguir”, afirma. Ela deseja estudar engenharia civil.
Programa O programa piloto do Pronatec Brasil Maior começou com 8 mil vagas contempladas em todo o país. Serão beneficiados com os cursos, gratuitos para o trabalhador, os segmentos da agroindústria, produção de máquinas e equipamentos, calçados, celulose e papel, construção civil, energias renováveis, mineração, móveis, têxtil, tecnologia da informação e comunicação e o ramo de prestação de serviços. Ao todo, 4 milhões de vagas foram abertas pelo Pronatec, de acordo com o MDIC.
Fonte: Estado de Minas