Ação das distribuidoras faz o consumidor pagar mais por gás

O botijão de 13 kg de gás de cozinha (GLP) em Belo Horizonte custa, na maioria das revendas, mais de R$ 50. O preço, dizem os revendedores, é “sugerido” pelas distribuidoras, que não concordam com quem vende mais barato. Há denúncias de que elas ameaçam não entregar mais gás para quem sair muito fora da faixa do valor estabelecido. Se não fosse essa ação das distribuidoras, o consumidor poderia estar pagando pelo menos R$ 45 pelo botijão.
A Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR) recebeu denúncias de vários dos seus associados, e avisou ao Ministério Público de Minas Gerais. Além disso, enviou correspondência à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ao Senado e até para a Presidência da República denunciando que alguns comerciantes são ameaçados – se venderem mais barato, não vão receber mais gás.
Um revendedor que não quis ser identificado afirma que não se sente livre para vender como quiser. “Eu me sinto um escravo da distribuidora. Só não saio do mercado porque estou há muito tempo, desde 1998”, disse.
Ele conta que não pode fazer promoções. “Não posso agradar meu cliente com preços mais atrativos, tenho que vender o botijão por R$ 52. Se eu desobedecer, eles aumentam o preço de forma que inviabiliza o meu negócio. E não adianta tentar comprar de outra empresa, pois uma informa para a outra e fico sem poder comprar o gás”.
Apesar de a ANP permitir que as revendedoras comprem de várias distribuidoras, é comum as empresas pedirem exclusividade, mas, segundo comerciantes ouvidos pela reportagem, não oferecem nenhuma vantagem por isso. “A distribuidora faz o que quer. Não sou apenas eu, sei de outros empresários na mesma situação”, reclama um revendedor que pediu para ser chamado de Pedro.
A reportagem pesquisou o preço do botijão de 13 kg em 32 revendedoras de gás de Belo Horizonte. Em 13, o preço é o mesmo: R$ 50. Em 12 outras, uma pequena variação: R$ 52. Duas ficam no meio termo, a R$ 51. O preço varia mais em apenas cinco das revendas ouvidas, onde vai de R$ 49 a 54. De acordo com um revendedor do bairro Renascença, o preço é “sugestão” da distribuidora e está “mais ou menos padronizado”.
O gás iniciou o mês de setembro com alta média de 7%. “Para o nosso setor, não é bom o aumento, pois as vendas caem”, diz o presidente da Asmirg-BR, Alexandre Borjaili. Para ele, se o mercado contasse com mais distribuidoras, o preço poderia cair até 30%. “Hoje, apenas cinco empresas dominam o mercado”, diz.
Fonte: O TEMPO