Aula inaugural dá início ao primeiro Curso Técnico em Panificação de Minas Gerais, coordenado pelo Sitipan

Patrícia Araújo Gouvêa é motorista de ambulância; Elísio Antônio Faria trabalha na recepção de uma indústria alimentícia; Marcos Antônio é funcionário público municipal de Nova Lima; Rosa Faria é copeira; Cícero é padeiro, mas está desempregado; Zilma tem um pequeno restaurante delivery e Wagner atua no ramo de padaria há oito anos.
Mas, o que essas pessoas de perfis e profissões tão diferentes têm em comum? Todas elas fazem parte da primeira turma da Escola Técnica em Panificação de Minas Gerais e vislumbram o aperfeiçoamento profissional, a capacitação para se inserir ou permanecer no mercado de trabalho, a possibilidade de mudar de profissão e empreender o próprio negócio.
Pioneira em terras mineiras, a escola, devidamente regulamentada e registrada no Ministério da Educação e na Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, é uma iniciativa do Sitipan. A aula inaugural aconteceu na noite dessa terça-feira, 1º de setembro de 2015, nas dependências do sindicato, no centro de Belo Horizonte.
Os personagens acima citados são alunos do Curso Técnico em Panificação, o primeiro oferecido pela Escola. De caráter profissionalizante e com duração de um ano, inclui aulas práticas e teóricas e, ao final, será concedido diploma com validade em todo o território nacional.
“Vocês vão compor a foto da primeira turma da Escola e ficarão registrados na história de Minas Gerais”, disse a professora Silvina Fonseca, que presta assessoria técnica e pedagógica ao Sitipan. “Estamos à disposição para oferecer o melhor apoio técnico, numa relação de muita alegria, respeito e cumplicidade. Estejam certos de que sairão daqui preparados e qualificados para o mercado de trabalho”, completou.
Estrutura
A Escola Técnica de Panificação funciona nas dependências do próprio Sitipan. São, aproximadamente, 480 m² e sua estrutura inclui salas climatizadas, laboratório de informática, biblioteca, copa, balcão de atendimento e laboratório de produção alimentícia com todos os equipamentos que compõem uma padaria: masseira, cilindro, modeladora, batedeira, armários de fermentação, fornos (de lastro e de turbo), máquinas de refrigeração, balança, máquina para corte de frios, entre outros.
Os alunos, literalmente, vão colocar a mão na massa para dar origem a pães, bolos, biscoitos e outras guloseimas. Mas não é só. Terão também estágio supervisionado e aulas teóricas de empreendedorismo, segurança no trabalho e saúde ocupacional, noções de administração e contabilidade e de informática. Assim, sairão do curso com respaldo técnico para a produção e, também, aptos a gerenciar o negócio.
“Esta não é apenas mais uma escola. Pretendemos que seja a escola de referência, em que as pessoas possam aprender e desenvolver outras áreas, como o relacionamento interpessoal tão necessário nos dias de hoje. É um desafio que abraçamos e estamos abertos a sugestões para que possamos nos aperfeiçoar cada vez mais”, ressaltou a diretora da Escola, Fernanda Maria Ferreira Lopes Sampaio, que é também diretora financeira do Sitipan.
O presidente do sindicato, Altacyr Barros de Mello conta que a Escola começou a ser idealizada em 2005, quando a atual gestão assumiu a diretoria do Sitipan e percebeu, tanto no sindicato patronal quanto no dos trabalhadores, a carência de mão de obra especializada e a baixa escolaridade.
“Isso nos alimentou o desejo de montar uma Escola Técnica de Panificação. Há vagas no mercado de trabalho, porém, nem todos os profissionais estão preparados para atender às exigências das empresas. A qualificação nos dias atuais é um diferencial fundamental e, além disso, aumenta a possibilidade de uma melhor remuneração. Sejam bem-vindos”, comentou.
O que dizem os alunos
Foi esse diferencial e a possibilidade de qualificação que inspirou Elísio Antônio Faria a se inscrever no curso. “Atualmente trabalho na recepção de uma grande empresa de produção de pães e quero mudar de vida, ter meu próprio negócio e ser valorizado. Foram esses os motivos que me despertaram o interesse e, pelo que pude perceber na aula inaugural, tenho boas expectativas de realizar meu projeto. Além disso, voltar a estudar é a melhor coisa do mundo”, declarou.
A motorista de ambulância Patrícia Araújo Gouvêa disse que está cansada da rotina estressante do trabalho, pensa em mudar de profissão e decidiu se matricular no curso incentivada pela irmã, que é confeiteira e trabalha no ramo de festas, para aguçar os dotes culinários. “Nossa ideia é abrir uma mini-padaria. Gostei do curso, pois nos dá uma noção de tudo, não só de como fazer, como também a gerir o negócio. Isso é muito interessante”, pontuou.
O servidor público Marcos Antônio mora em Rio Acima e trabalha em Nova Lima. Sai cedo para trabalhar e só retorna tarde da noite, sem tempo para ficar com a família. “A culinária é meu hobby, faço pães artesanais para vender em feiras e, quando vi o anúncio do curso, logo me interessei, pois pode ser a chance de me aperfeiçoar naquilo que gosto de fazer e mudar de vida”, frisou.
Wagner, que já é padeiro, quer se aprimorar e adquirir novos conhecimentos. “Quero mais, quero aprender sempre, me reciclar e somar com o pessoal. Estou muito confiante”, relatou.
Outros cursos
Além do Curso Técnico de Panificação, a Escola do Sitipan irá ofertar Ensino Médio, na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), com duração de dois anos e meio; e dará continuidade aos cursos livres, de pequena duração, que já eram oferecidos pelo sindicato.