Dia Internacional da Mulher: avançamos, mas falta caminhar muito ainda

O dia 8 de março é destinado à celebração das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, sendo adotada pela Organização das Nações Unidas e, consequentemente, por diversos países.
Atualmente, além do caráter festivo e comemorativo, o Dia Internacional da Mulher ainda continua servindo como ponto de partida para debates e reflexões, como forma de combater as desigualdades de gênero em todas as sociedades.
Há quem diga que esse já é um tema batido, que vem à tona todos os anos. É preciso vir mesmo. Massificar a informação é necessária para a tomada de consciência e, quem sabe, para a mudança de comportamento.
O que dizem os números
Em 2007, as mulheres representavam 40,8% do mercado formal de trabalho; em 2016, passaram a ocupar 44% das vagas.
Apesar dos avanços, elas recebem cerca de 70% do salário do homem para fazer o mesmo trabalho, tendo a mesma formação ou até melhor qualificação. Essa diferença precisa ser reduzida.
Além de receber menos que o homem para fazer o mesmo trabalho, a mulher sofre outras penalidades apenas por ser mulher.
As mulheres representam mais da metade da população e não faz sentido serem preteridas no mercado de trabalho por uma questão de gênero.
Chefes de família
A renda dessas trabalhadoras também tem ganhado cada vez mais importância no sustento das famílias.
Em 1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos depois, esse número chegou a 40%.
Cabe ressaltar que as famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não há a presença masculina: em 34% delas, havia a presença de um cônjuge.
Aceitar essa discrepância salarial como fato natural do mercado é um problema, porque perpetua a desigualdade e agrava a situação de vulnerabilidade social de cada família chefiada por mulher.
A participação em cargos de chefia e gerência nas empresas e organizações também precisa avançar e muito.
Apenas entre 5% e 10% dessas instituições são chefiadas por mulheres no Brasil, de acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Reforma da Previdência
A proposta inicial do governo era igualar a idade da aposentadoria, com 65 anos para homens e mulheres. Depois, o governo recuou e estabeleceu a idade de 62 anos para as trabalhadoras.
Precisamos massificar os argumentos para combater essa proposta do governo, que é cruel para as trabalhadoras brasileiras.
Um exemplo: cabe muito mais à mulher fazer o trabalho reprodutivo – cuidar da casa, de crianças e de idosos. Esse trabalho é socialmente útil, mas não é remunerado.
No total, as mulheres trabalham quase oito horas a mais por semana. Se homem e mulher começarem a trabalhar aos 22 anos, para se aposentar aos 65, a mulher terá trabalhado 7,8 anos a mais que o homem.